Nota de repúdio


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Ofício ABRAVAS n° 001/2016

 

São Paulo, 04 de março de 2016.

 

Ilmo. Senhor Benedito Fortes de Arruda

Comissão Nacional de Animais Selvagens (CNAS)

 

Assunto: NOTA DE REPÚDIO 01/2016

 

Senhor Benedito Fortes de Arruda

 

        A Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (ABRAVAS), vem por meio desta nota, repudiar a fala da representante do CFMV (Carla  Forte Maiolino Molento) no dia 29 de Outubro de 2015 durante Comissão Parlamentar de Inquérito sobre maus tratos de animais, presidida pelo Deputado Ricardo Trípoli para esclarecimentos sobre o papel dos zoológicos e aquários e sobre a importação de animais exóticos, condições de bem-estar, manejo e maus-tratos, notadamente no que diz respeito à importação dos ursos polares Peregrino e Aurora, provenientes da Rússia, para exposição no Aquário de São Paulo.  Infelizmente a mesma apresentou um parecer tendencioso, passional e ideológico sobre a manutenção de animais em cativeiro. Segue fala abaixo.

          "Então, essas são ações aqui que eu deixo como um recado mais concreto. A maioria dos animais, hoje, em zoológico — essa é a minha última fala —, está em situação de maus-tratos, provavelmente. A maioria dos animais, nos nossos zoológicos, sofre uma situação crônica de maus-tratos” (Disponível em: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/parlamentar-de-inquerito/55a-legislatura/cpi-maus-tratos-de-animais/documentos/notas-taquigraficas/nt291015-mta-sem-revisao).

       É desnecessário aqui enfatizar o papel preponderante que médicos veterinários de zoológicos e aquários, criadouros científicos, comerciais e conservacionistas exercem na conservação ex situ da biodiversidade. Há duas décadas e dentre o mais atual exemplo, a nossa Ararinha-Azul de Spix (Cyanopsitta spixii) que está extinta na natureza e graças ao trabalho e o esforço de pesquisadores, criadores e zoológicos em reproduzi-las em cativeiro, alguns exemplares desta espécie serão repatriados ao Brasil, matéria esta que pode ser observada no jornal O Estado de São Paulo de 01 de novembro de 2015.

          As pessoas ouvidas durante a CPI foram em sua maioria ligadas a Organizações Não Governamentais, sem qualificação ou vivência técnica na área de manejo de fauna ex situ ou in situ. Manifestaram suas opiniões de forma generalista e tendenciosa contra a atuação destes importantes empreendimentos de fauna e tiveram ampla margem de divulgação midiática. Dentro dos preceitos democráticos que devem nortear a atuação da vida pública de um parlamentar, imbuído de serenidade, respeito, responsabilidade e sentimento de justiça, sob a ótica da ética e a Égide do Direito, deveriam ter sido adequadamente ouvidos os técnicos de zoológicos em igualdade de exposição e confortabilidade de depoimentos, expressando a veracidade e legitimidade da atuação técnica das instituições, o que não ocorreu, mormente por uma falácia ideológica (o que não deve conduzir a ação de um parlamentar que é pago por um todo, e não por um segmento) oportunismo, demagogia e populismo.

          Sem mais para o momento.

          Atenciosamente,

 

 

 

 

BRUNO PETRI

Presidente ABRAVAS

Gestão 2015-2017